Registro De Titulares
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A História
Manhã de colheita em uma aldeia Ifugao. Uma fila de mulheres avança por um arrozal inundado na encosta da montanha, curvadas, cortando os ramos de arroz com pequenas lâminas tradicionais. Uma delas começa a cantar: é o hudhud, um canto épico transmitido oralmente que narra lendas de heróis, ancestrais e casamentos entre linhagens nobres. Nada disso jamais foi registrado em papel; aprende-se trabalhando com os pés na lama e ouvindo a voz das gerações anteriores.
Paredes De Pedra, Água E Tempo
As muralhas de sustentação são feitas de pedra e terra compactada, erguidas sem argamassa. Atrás de cada muro há um espelho d'água perfeitamente nivelado para o cultivo do arroz. Empilhados encosta acima, esses degraus fazem as montanhas da província de Ifugao, no norte de Luzon, parecerem escadarias monumentais esculpidas para gigantes.
Embora a tradição popular fale em dois mil anos de história, pesquisas recentes indicam que grande parte do complexo foi expandida nos séculos XVI e XVII, quando populações locais migraram para as montanhas para resistir ao domínio colonial espanhol. Por serem estruturas agrícolas vivas, o que importa não é a data de colocação da primeira pedra, mas o ciclo contínuo de manutenção.
A grande obra-prima reside na engenharia hidroagrícola: no topo da montanha preserva-se uma floresta sagrada chamada muyong, cuja função é captar a chuva e liberá-la suavemente por canais de terra e tubos de bambu, irrigando sucessivamente cada terraço de cima para baixo até o rio. A encosta inteira funciona como um único organismo vivo integrado.
O Detalhe Do Mirante
Os Terraços de Arroz das Cordilheiras das Filipinas foram inscritos como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1995 abrangendo cinco núcleos preservados (como Batad e Bangaan). Curiosamente, o mirante mais famoso e fotografado de Banaue não foi incluído na lista oficial da UNESCO devido à urbanização ao seu redor.
Um terraço só sobrevive enquanto houver quem nele plante. Recuperar as paredes após tufões e deslizamentos significa o que sempre significou: erguer pedra sobre pedra com as próprias mãos para que a montanha não retome a terra cultivada.