90 · Polônia · Construído c. 1274
Malbork
O maior castelo do mundo, vendido por mercenários que não tinham sido pagos.
Abre quando o volume total do registro atingir US$ 17.000.
Registro De Titulares
O registro está vazio. Quem reivindicar primeiro fica escrito aqui para sempre — a partir de US$ 3.
A História
Em 1457 os soldados que guarneciam o castelo de Malbork tomaram uma decisão. Estavam havia meses sem receber. Seu empregador — a Ordem Teutônica, que construíra o castelo e nele estava havia duzentos anos — estava falida.
Os soldados eram mercenários boêmios, e acharam um jeito de cobrar o que lhes era devido: venderam o castelo ao rei da Polônia. A Ordem perdeu o maior castelo do mundo não numa batalha, mas por uma folha de pagamento.
A Sede De Uma Ordem
Os Cavaleiros Teutônicos eram uma ordem militar e religiosa fundada durante as cruzadas. No século XIII ergueram seu próprio Estado no litoral báltico e, em 1274, começaram um castelo à margem do rio Nogat.
Em 1309 o grão-mestre da Ordem transferiu para cá sua sede, vinda de Veneza. Daquele momento em diante Malbork não era um forte de fronteira, e sim a capital de um Estado — e foi ampliado à altura.
O castelo tem três partes: o Castelo Alto, o Castelo Médio e o Castelo Baixo. Juntos cobrem mais de vinte hectares: o maior castelo do mundo em área e o maior edifício de tijolo da Europa.
Não se usou pedra porque aqui não há pedra. A planície báltica é rica em argila e pobre em rocha. Toda a construção — muros, abóbadas, colunas — é de tijolo cozido.
Calor Vindo Do Chão
O detalhe técnico mais notável do castelo não se vê. Sob os grandes salões há um sistema de aquecimento: fornalhas acesas no nível inferior aquecem uma massa de pedras empilhada acima. Uma vez quentes as pedras, a boca da fornalha é fechada, e o calor armazenado sobe por aberturas no piso para dentro do salão.
O sistema é uma continuação do hipocausto romano e um dos poucos exemplos aplicados nessa escala na Europa medieval. Pode aquecer um salão por horas sem chaminé no recinto e sem fumaça.
Derrota E Cerco
Em 1410, em Grunwald, um exército polaco-lituano derrotou as forças da Ordem. Foi a batalha que quebrou a Ordem militarmente. Mas quando os vencedores marcharam sobre Malbork não conseguiram tomá-lo; o cerco durou alguns meses e foi levantado.
Ou seja, o castelo resistiu militarmente. O que acabou com ele não foi a guerra, e sim o custo dela. As indenizações depois de Grunwald e as campanhas contínuas esvaziaram o tesouro da Ordem, e quarenta e sete anos depois salários não pagos trocaram o dono do castelo.
Donos Seguintes
Os reis da Polônia o usaram como residência real. Quando a região passou à Prússia no fim do século XVIII, o castelo virou quartel e armazém; partes foram derrubadas e seu tijolo empregado em outros edifícios.
O interesse renasceu no século XIX e começou uma longa restauração. Em 1945 o castelo ficou na linha de frente e sofreu danos graves; perto de metade da construção foi destruída. Foi reconstruído depois da guerra — a maior parte da superfície que hoje se vê é produto desse reparo.
Hoje
Malbork entrou na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 1997.
O tijolo é um material mais previsível que a pedra, mas tem seus problemas: os ciclos de gelo e degelo levantam a face do tijolo em lâminas, a argamassa se lava e a proximidade do rio mantém constante a carga de umidade. A manutenção segue retirando tijolos deteriorados um a um e assentando novos em seu lugar.
No registro deste castelo não há nenhuma entrada anotando uma mudança de mãos por batalha. Ele mudou de dono duas vezes: uma por venda, outra porque a fronteira de um Estado se moveu.