84 · Arábia Saudita · Construído c. 1

Hegra

A segunda cidade de quem fez Petra; a maioria de suas cento e onze tumbas diz quem jaz dentro.

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A História

Uma fachada funerária talhada num rochedo isolado no meio do deserto

A primeira coisa que se nota em Hegra é o que não há. Nenhum perfil de cidade, nenhuma muralha, nenhuma fileira de templos. Há rochedos afastados uns dos outros numa planície de areia, e alguns tiveram uma face alisada até virar fachada. As portas estão fechadas. Ninguém mora dentro. Não são casas, e sim tumbas.

A mais conhecida está talhada numa rocha que se ergue inteiramente sozinha, aberta pelos quatro lados, inacabada no alto. Seu nome local significa o castelo solitário. A fachada foi concluída; a parte de cima nunca.

A Segunda Cidade De Petra

Hegra foi construída pelos nabateus: um reino nascido nas rotas de caravanas do norte da Arábia e do que hoje é a Jordânia. Sua capital era Petra. Hegra era o grande assentamento do sul e uma parada importante da linha comercial.

Essa linha levava incenso. O olíbano e a mirra que cresciam no sul da Arábia subiam para o norte em caravanas de camelos rumo aos portos do Mediterrâneo. Os nabateus se puseram no meio dessa estrada e organizaram a passagem: recolheram água, abriram poços, ergueram pousos e ficaram com uma parte.

Essa riqueza aparece nas fachadas. Os estilos estão misturados: cornijas de gola do Egito, ameias escalonadas da Assíria, capitéis e frontões do mundo greco-romano, tudo numa mesma superfície. Os nabateus tomaram formas de onde vieram e as combinaram numa ordem de fachada própria.

O painel com a inscrição numa fachada: quem a encomendou e quem pode ser sepultado

Diz De Quem É

O que distingue Hegra de sítios comparáveis é o que está escrito sobre as tumbas. Boa parte das cento e onze tumbas monumentais traz uma inscrição talhada em lugar visível da fachada.

Essas inscrições não são preces nem elogios. São registros de propriedade. Dizem quem encomendou a tumba, que canteiro nela trabalhou, em que ano ficou pronta e, sobretudo, quem pode ser sepultado ali: quem pagou, seus filhos, seus netos. Algumas fixam ainda a multa a ser paga por quem sepultar um estranho ou tentar vendê-la.

Algumas são, na prática, escrituras. Quem, quando, com que direito — gravado na pedra. Isso não é comum no mundo antigo nessa escala; na maioria das necrópoles comparáveis só podemos inferir quem foi sepultado onde.

Outro detalhe das inscrições merece nota: parte de quem encomendou tumbas eram mulheres. Mulheres comprando uma tumba em seu próprio nome e registrando sua propriedade.

Quando Roma Chegou

Em 106 d.C. Roma anexou o reino nabateu e organizou a região como província da Arábia Pétrea. Hegra abrigou uma guarnição romana; algumas das inscrições ali encontradas estão em latim. Depois as rotas comerciais mudaram, o transporte marítimo prevaleceu e a cidade se esvaziou aos poucos.

Nos séculos seguintes, caravanas de peregrinos e comerciantes que passavam viram as ruínas mas não se fixaram. O sítio ficou por muito tempo largamente entregue a si mesmo — o que é, ironicamente, a principal razão de ter se conservado tão bem.

Hoje

Hegra entrou na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 2008, o primeiro sítio da Arábia Saudita a figurar nela. Ficou em grande parte fechado a visitas por muitos anos; as visitas guiadas abriram a partir de 2020.

O verdadeiro problema de conservação é o vento e a areia. O arenito é mole, e nas faces que recebem o vento dominante o entalhe está visivelmente gasto. Algumas fachadas se conservam quase intactas enquanto outra a poucos metros se tornou ilegível — a única diferença entre elas é para que lado a rocha está voltada.

Fontes E Outras Leituras

Registros institucionais para aprofundar a leitura; não verificam cada detalhe da história.

Onde Fica

AlUla
Arábia Saudita

Hegra (Mada'in Salih), AlUla, Medina Province

26.7917, 37.9542