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A História
O último combate de Cartago não aconteceu em campo aberto, mas dentro de escadarias e telhados. Os soldados romanos avançaram do porto em direção à colina de Byrsa casa por casa e andar por andar durante seis dias terríveis, estendendo pranchas entre os terraços para passar de um quarteirão ao seguinte. Atrás deles, engenheiros ateavam fogo a cada prédio conquistado. Quando a batalha terminou, os sobreviventes foram escravizados e a grande metrópole fenícia deixou de existir.
O historiador Políbio relata que o general romano Cipião Emiliano contemplou o incêndio e chorou citando versos de Homero sobre a queda de Troia, antevendo o dia em que destino idêntico recairia sobre a própria Roma.
Uma Mulher, Uma Pele De Boi E Um Império
A tradição situa a fundação de Cartago em 814 a.C. pela princesa fenícia Elissa (Dido), que fugiu de Tiro e pediu aos nativos tanta terra quanta coubesse numa pele de boi. Cortando a pele em tiras finíssimas, conseguiu cercar a colina inteira de Byrsa.
A localização geográfica de Cartago, de frente para o estreito que divide o Mediterrâneo entre a Sicília e a África, fez dela o maior império marítimo e comercial de sua era.
Os Portos Lendários
Cartago dispunha de dois portos artificiais interligados: um porto comercial retangular e um porto militar circular (Kothon), com uma ilha central e ancoradouros cobertos capazes de abrigar mais de duzentos navios de guerra protegidos dos olhos de espiões estrangeiros.
Após as três Guerras Púnicas e as façanhas de Aníbal, Roma arrasou a cidade em 146 a.C. Um século depois, Roma refundou Cartago como uma das maiores e mais prósperas metrópoles do Império Romano. As obras romanas na colina de Byrsa acabaram por selar sob aterros o antigo bairro púnico original, preservando-o para a arqueologia contemporânea.
Inscrita como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1979, Cartago permanece como o grandioso palco da disputa pelo domínio do Mediterrâneo antigo.