89 · Estados Unidos · Construído c. 1050
Cahokia
Foi a maior cidade da América do Norte, e não sabemos como seu povo a chamava.
Abre quando o volume total do registro atingir US$ 15.500.
Registro De Titulares
O registro está vazio. Quem reivindicar primeiro fica escrito aqui para sempre — a partir de US$ 3.
A História
Hoje em Illinois, na margem leste do Mississippi, há uma colina junto a uma rodovia. Trinta metros de altura, quatro terraços, plana no topo. Não é uma colina natural; é feita inteiramente de terra carregada à mão.
Esse montículo é a maior obra de terra das Américas ao norte do México. Sua base é mais larga que a da Grande Pirâmide de Gizé. Para erguê-lo não se usou roda nem animal de tração: não havia cavalos nem bois. A terra veio em cestos — as estimativas falam em mais de catorze milhões de cargas.
Uma Cidade, Não Um Império
O terreno em volta é um campo de montículos. Mais de cem estão registrados, e alguns foram aplanados pela agricultura e pela construção. Não estão espalhados ao acaso: cercam uma grande praça, alinhados a um eixo principal. Isto não é um povoado, e sim uma cidade planejada.
Seu período mais denso cai grosso modo entre 1050 e 1200. As estimativas de população variam, mas para o centro costuma-se dar de dez a vinte mil. É comparável à Londres da mesma data, e nenhum outro povoado da América do Norte voltou a alcançar esse tamanho até a Filadélfia da década de 1780.
Quem a fez pertencia a uma tradição ampla chamada mississipiana: comunidades que viviam do milho, comerciavam pelos rios e construíam sobre montículos. Cahokia era o maior nó dessa rede.
O Círculo De Postes
A oeste da cidade encontrou-se uma disposição circular de postes de cedro-vermelho. Quando os escavadores descobriram as covas dos postes, viram que o círculo tinha um poste de observação separado no centro e que alguns dos postes do perímetro se alinhavam com os nasceres do sol dos solstícios e equinócios.
É a mesma lógica de Newgrange ou de Stonehenge: fixar um dia certo do ano marcando onde o sol desponta no horizonte. A diferença é o material — madeira em vez de pedra —, de modo que o próprio instrumento apodreceu e só restaram suas covas.
A Cidade Cujo Nome Não Sabemos
O mais notável aqui não é o tamanho nem os montículos. Não sabemos o nome verdadeiro desta cidade.
O nome Cahokia vem de um povo que se instalou na região muito depois, séculos após o lugar ter sido abandonado. Esse povo não tem ligação direta com os construtores dos montículos. O nome que usamos hoje não é, portanto, o que lhe deram seus construtores: é um rótulo que pegou por vizinhança.
O mesmo vale para todo o resto. Aqui não houve escrita, então como esse povo se nomeava, que língua falava, como se chamavam seus governantes — nada disso ficou registrado. Temos uma estrutura de trinta metros e nenhuma palavra de quem a levantou.
Um sepultamento escavado mostra uma sociedade estratificada: uma inumação sobre cerca de vinte mil contas de concha dispostas em forma de ave, com muitos outros sepultamentos ao lado. Isso aponta para uma classe com poder e cerimônia — e, de novo, não sabemos como ela se chamava.
Hoje
A cidade esvaziou-se em grande parte por volta de 1350. O porquê é discutido: esgotamento de lenha e recursos, enchentes, mudança climática, colapso político — tudo já foi proposto, nada provado sozinho.
O sítio entrou na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 1982. O principal problema de conservação é a ocupação moderna: uma estrada atravessa o sítio, parte dele já foi loteamento e cinema drive-in, e alguns dos montículos ao redor foram aplanados para lavoura. As obras de terra trazem ainda sua dificuldade própria: a chuva escava a superfície, e as encostas dos montículos precisam ser reparadas com regularidade.
Onde Fica
Cahokia Mounds, Collinsville, Illinois
38.6606, -90.0620